Foi lançada, no passado dia 17 de janeiro de 2026, a primeira pedra do abrigo contra incêndios que vai nascer na Aldeia do Xisto de Ferraria de São João. Uma infraestrutura pensada para reforçar a segurança da população em situações de catástrofe, em particular face ao risco de incêndio rural.
O projeto surge na sequência dos incêndios de 2017 e de um protocolo estabelecido em 2019, no âmbito do projeto-piloto Aldeias Resilientes, impulsionado pela Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG). Desde então, tem vindo a ser desenvolvido um trabalho colaborativo entre várias entidades, com o objetivo de criar uma estrutura de apoio e proteção às populações em territórios vulneráveis.
O abrigo, oficialmente designado “Abrigo Comunitário Jorge Mendes”, será integralmente financiado pelo empresário e agente de futebol Jorge Mendes, num investimento de 300 mil euros. A infraestrutura será construída de raiz num terreno localizado no centro da aldeia.
O mecenas do projeto esteve presente na cerimónia de lançamento da primeira pedra, bem como Helena Teodósio, presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra; Eduardo Santos, presidente da Câmara Municipal de Penela; e ainda Luís Matias, coordenador da Intervenção Integrada de Base Territorial (IIBT) Pinhal Interior, consórcio que a ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento do Território das Aldeias do Xisto integra.
O futuro equipamento terá capacidade para acolher cerca de 50 pessoas, podendo chegar às 80 em situação de emergência, e destina-se a servir a comunidade residente bem como quem visita a aldeia. Para além da sua função principal em contexto de calamidade, o abrigo foi pensado para assumir também uma vertente comunitária, funcionando como espaço de convívio, recreio e apoio à vida associativa local.
A construção e a futura dinamização do abrigo serão da responsabilidade da Associação de Moradores da Ferraria de São João, cabendo ao Município de Penela a fiscalização da obra e o apoio à manutenção e funcionamento do edifício. O projeto envolve ainda várias entidades e parceiros técnicos, incluindo ateliers de arquitetura e empresas especializadas.
Considerado um dos primeiros equipamentos deste género a avançar em Portugal, o abrigo de Ferraria de São João afirma-se como um marco importante na valorização do território, no reforço da coesão comunitária e numa abordagem preventiva face aos riscos associados aos incêndios florestais, transformando a memória da adversidade num investimento concreto em segurança e futuro.









