ALDEIAS

Barroca

zêzere
ZêzereBarroca
Barroca
barroca, fundão
No centro da rede. Na Barroca continua a respirar-se um ambiente rural, pautado pelos seus ciclos agrícolas. É aqui a sede da Rede e das Lojas das Aldeias do Xisto.

Na Barroca, continua a respirar-se um ambiente rural, pautado pelos seus ciclos agrícolas. A paisagem circundante é enquadrada pelo pinhal e pelas pirâmides das escombreiras da Lavaria do Cabeço do Pião, que já pertenceram às Minas da Panasqueira.

A Casa Grande, antigo solar do século XVIII onde hoje funciona o Centro Dinamizador das Aldeias do Xisto, acolhe-nos e lança-nos à descoberta das ruas e quelhas. 

A parte mais antiga da aldeia está implantada ao longo de um pequeno morro, ladeado por duas linhas de água profundamente cavadas, formando um conjunto perpendicular ao curso do Zêzere, com o qual confina.

No caminho que nos leva à beira do Zêzere, descobrem-se antigos moinhos que laboravam com a força do rio. O espelho de água e a paisagem impõem um momento de pausa, antes de se atravessar a ponte pedonal para a outra margem e descobrir as gravuras rupestres que os nossos antepassados ali deixaram gravadas na rocha há milhares de anos. 

  • território

    Situada nas vertentes da serra da Gardunha, apenas a 30 quilómetros do concelho do Fundão, a Barroca está camuflada na paisagem e é senhora de um outeiro da margem esquerda do Zêzere, onde banha os pés e de onde domina as vistas.

  • natureza

    A densa e diversificada mata ribeirinha que reveste as margens do Zêzere a montante do açude, serve de abrigo à lontra que, ao fim do dia, corre agitada sobre as pedras que emergem no rio ou desliza suavemente sob a superfície das suas águas tranquilas.

    Esta é a primeira Aldeia do Xisto a saudar o rio Zêzere no seu curso ao encontro do Tejo. O rio sempre interferiu com a história da aldeia. E a aldeia não deixou de interferir com ele: açude, moinhos, pontes...

  • história e estórias

    É muito provável que o povoado já existisse no século XVI.  O século XVIII - a julgar pela natureza e dimensão dos edifícios então construídos e que ainda hoje podemos apreciar - terá correspondido a um apogeu de desenvolvimento. Os registos históricos fazem menção à Barroca a propósito da Revolução da Maria da Fonte durante a qual se destacou, a 5 de julho de 1846, a "Guerrilha do Fabião" atribuída a um tal Fabião da Barroca, precisamente o construtor e dono da Casa Grande.

    Graças à atividade no couto mineiro da Panasqueira, o século XX trouxe trabalho e riqueza. Com o fim da II Grande Guerra, a atividade mineira reduziu-se drasticamente. Muitos procuraram o futuro noutros horizontes. Os que regressaram já no final do século, edificaram as construções que circundam a velha aldeia.

    A origem do nome
    O nome Barroca pode estar relacionado com várias origens: numa das versões do "Portugalliae", de Fernando Álvaro Seco, datado de 1600 – tido como uma das primeiras representações cartográficas da totalidade do território continental português – encontra-se Abaroqua na localização da atual Barroca.

    Para Viterbo (1798), Barroco significa "Penedo, ou penedos altos, e sobranceiros ao vale, ou à terra plana, e assente. Daqui Barrocal: lugar cheio de penedos altos, e fragosos." Por outro lado, Barroca em português significava lugar onde havia barro, material que também ocorre nas imediações da aldeia. Localmente, entende-se que o nome está relacionado com um vale profundo e extenso que ladeia a aldeia, o Chão da Cova.

    O atravessamento do Zêzere
    Segundo informação de 1758, quem quisesse atravessar o Zêzere, caudaloso e de fortes correntes, poderia fazê-lo de barca juntamente com duas bestas e outras onze pessoas. Era esta a carga considerada regular para este tipo de embarcação.

    A Casa Grande na Guerra da Patuleia
    Em outubro de 1846, Portugal estava em guerra civil. Os oito meses que durou a Guerra da Patuleia, que colocou em confronto os cartistas e os setembristas, meteu a Beira Baixa a "ferro e fogo". O Fundão foi palco de lutas fraticidas.

    A célebre “Guerrilha do Fabião” ou "Exército do Rio", liderado por Fabião António Leitão, conseguiu assumir o controlo do concelho do Fundão. De sua casa - a Casa Grande - Fabião António emitiu correspondência oficial como administrador do concelho, no que então foi considerada "uma espécie de república da Cova da Beira". Porém, a História não estava do lado dos Setembristas. E, em junho de 1847, a revolta estava dominada. Diga-se que tal apenas foi conseguido com a intervenção de tropas estrangeiras.

  • património

    A aldeia possui um conjunto de construções periférico, mais ou menos disperso, edificado nos últimos 30 anos do século XX. Na praça central da sua malha urbana, destaque para a parte antiga da aldeia, essencialmente estruturada por três ruas, ligadas por várias ruelas.

    O material de construção predominante é o xisto, embora uma parte significativa das fachadas dos edifícios esteja rebocada e pintada, predominantemente de branco.

    Existe um número significativo de construções aristocráticas dos séculos XVIII e XIX, de maiores dimensões, integralmente em xisto, facto pouco comum na rede das Aldeias do Xisto.

    Na aldeia, pisam-se pavimentos em seixos rolados, mas junto ao rio encontramos as lajes de uma antiga calçada medieval. Nas ruas compactas, as casas possuem por vezes passadiços ao nível do primeiro andar e deixam adivinhar, nos seus pequenos detalhes, a vontade de conferir emoções à construção.

    Fora do perímetro da aldeia, as construções dedicadas aos trabalhos do campo pontuam caminhos de terra batida, entre as pequenas propriedades disseminadas pelas encostas. Através de passadiços e de belos percursos à beira rio, alcançam-se achados arqueológicos que poderão existir há mais de 12 mil e 20 mil anos.

    A este património juntam-se belos exemplares religiosos como as capelas de Nossa Senhora da Rocha, São Romão, São Roque e Nossa Senhora da Agonia, salientando-se também a presença da Igreja de São Sebastião. Podem ser também visitadas a Casa Grande (edifício senhorial da família Fabião), um conjunto de casas particulares dos séculos XVIII e XIX, pontes pedonais, lavadouro, açude e moinho, entre outros monumentos.

    Ainda merecem destaque:

    • Casa Grande- Edifício senhorial da Família Fabião
    • Capela particular
    • Capela de São Roque
    • Igreja Paroquial
    • Conjunto de casas particulares dos séculos XVIII e XIX
      A atual rua 5 de Outubro foi o eixo estruturante e de afirmação da aldeia nos séculos XVIII e XIX. Atestam-no a natureza, a dimensão e os elementos distintivos dos edifícios datados dessa época e ainda hoje existentes:
      - a Casa Grande
      - a casa que tem gravada a data 1772, onde nasceu José Inácio Cardoso
      - e a casa que tem gravada a data 1839 em numeração romana (MDCCCXXXIX).
    • Lavadouro
      Com traços arquitetónicos da época do Estado Novo.
    • Pontes pedonais
      Duas pontos pedonais atravessam o Zêzere:
      - uma mais antiga e rústica
      - e uma mais recente em estrutura metálica
    • Chafariz dos Namorados
      Equipamento em granito, datado de 1915, com água canalizada, localizado na rua 5 de Outubro.
    • Fonte Ribeira da Bica
      Equipamento em granito, envolvido por espaço de recepção e lazer.
    • Cantinho dos Palermas
      Ponto de encontro, ironicamente batizado pelos habitantes.
    • Capela de N.ª Sr.ª da Rocha
      Foi instituída pela família Fabião. Está isolada no topo de uma elevação sobranceira à aldeia.
    • Capela de S. Romão
      Na padieira do portal encontra-se gravada a data 1720. O templo de planta rectangular é muito singelo e está rebocado e pintado de branco. No vértice da frontaria, apresenta um cruz simples.
    • Capela de Nossa Senhora da Agonia
      Templo de planta retangular, singelo, em xisto não rebocado, datado de 1713.
    • Alminha
      Ao fundo da aldeia, na margem esquerda do Zêzere, junto ao acesso às pontes pedonais (séculos XVII ou XVIII)
    • Anjo da Guarda
      Altar moderno implantado junto à EN238, à entrada da aldeia.
    • Açude e moinho
      Em frente à aldeia, no leito do Zêzere, existe um açude e respetivo moinho hidráulico.
  • festividades
    • 19 de janeiro: Festa de São Sebastião - Festa do Bodo (festa do padroeiro)

  • produtos
    • Hortícolas
    • Azeitona
    • Medronho
  • como chegar

    Na A1 > Saída 7 (A23 – Torres Novas/Abrantes). Seguir pela A23 até à saída 28 (Fundão-Sul). No Fundão, tomar a N238 e seguir 27km até chegar à Barroca.

  • nome dos habitantes
    barrocenses
  • padroeiro
    são sebastião
  • ex libris
    sede das aldeias do xisto – casa grande

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