ALDEIAS

Aldeia das Dez

serra do açor
Serra do AçorAldeia das Dez
Aldeia das Dez
aldeia das dez, oliveira do hospital
Aldeia miradouro. Do granito se avista o xisto.

Uma aldeia risonha e encantadora, sobranceira ao rio Alvôco. Toda ela parece um demorado miradouro, com vista privilegiada para as serras envolventes. Respire o seu ar puro, tente conhecer a sua vasta história e certifique-se de ter passado em cada recanto. As vistas da aldeia miradouro conquistam qualquer visitante apreciador das deslumbrantes paisagens da Serra da Estrela. Aqui, cada casa, cada rua e cada largo é um miradouro.

Construída predominantemente em granito, a Aldeia das Dez detém um património construído impressionante, com destaque para a Igreja Matriz , cujo interior está decorado com sumptuosa talha dourada. Aqui moraram muitos entalhadores e douradores, que beneficiaram a aldeia com as suas obras. A talha dourada da Igreja Matriz é disso exemplo, juntamente com esculturas e pinturas que embelezam o interior do edifício. Mas os encantos da aldeia vão para lá disso: também se encontram nas pessoas e na paisagem.

O Santuário de Nossa Senhora das Preces, um local de características únicas, é também de visita obrigatória.

Quem não resiste a um bom doce também pode encontrar bolos tradicionais da aldeia, os coscoréis e cavacas confecionadas à moda da Aldeia das Dez. Aproveite e prove também um compota ou um licor de medronho, cujo fruto é abundante na zona.

  • território

    Aldeia das Dez situa-se na encosta norte do Colcurinho, na Serra do Açor, à altitude de cerca de 500 metros, sobranceira ao rio Alvôco. 
    Parte integrante, administrativamente, do distrito de Coimbra, insere-se no concelho de Oliveira do Hospital, que confina a norte com o concelho de Nelas, a nascente com o concelho de Seia, a sul com o de Arganil e a poente com Tábua.

  • natureza

    O rio Alvôco, que nasce na Serra da Estrela, é também o rio da Aldeia das Dez. Nesta orografia fortemente sulcada numa ramificada rede de vales, aquele onde se encontra a aldeia é profundo e tem uma orientação aproximada este-oeste. Possui cerca de 30 km e o seu percurso termina na Ponte das Três Entradas, onde encontra o Alva.

  • história e estórias

    Os vestígios de muralhas, o que resta de um castro pré-romano, testemunham a antiguidade da atividade humana do povoamento. Os romanos também por aqui passaram, sendo prova disso a calçada romana que se localiza fora da aldeia e que serve de ligação a Avô e também algumas moedas que se encontraram nas zonas próximas da povoação e no castro.

    O estatuto da aldeia sofreu uma evolução quando, em 1543, o Bispo de Coimbra, D. Jorge de Almeida, a autonomizou de Avô. Contudo, o estatuto sofreu uma regressão e, em 1594, voltou a estar novamente anexa a Santa Maria de Avô, adquirindo de novo a autonomia em 1602/1603, que nunca mais perdeu. A 24 de dezembro de 1812, a iluminação pública chega à aldeia. Os candeeiros funcionavam a carbureto. E quando, na década de 1860, a indústria dos fósforos se iniciou em Portugal, a Aldeia das Dez assumiu um papel de relevo: em 1890, existiam na aldeia duas ou três fábricas, que empregavam cerca de 50 operários. Uma das fábricas ainda existe e foi convertida em habitação privada, não visitável. Até 1899, ano em que foi concluída a estrada municipal que a liga à Ponte das Três Entradas, Aldeia das Dez era uma povoação que vivia quase isolada.

    A origem do nome
    No “Cadastro da população do Reino (1527)” consta no termo da vila de Avô a existência do então denominado lugar dalldea onde viviam 49 moradores. Terá sido entre o século XVI e os séculos mais recentes que “das Dez” foi acrescentado ao nome da povoação, não se tendo prova documentada do motivo. Entre as várias hipóteses, parece ser plausível a sua evolução a partir de “Aldeia dos Diez” com base no apelido (Diez = Dias) usual na região à época do seu povoamento.

    Origem do nome, segundo a lenda
    Reza a lenda que, no tempo da reconquista, dez mulheres terão encontrado um tesouro numa caverna do monte Colcurinho. De que tesouro se tratava, nada se sabe. Talvez fosse algo imaterial. As dez mulheres terão dividido entre si o tesouro, sob compromisso de não o revelarem. Segredo que tem passado de geração para geração.

    A indústria dos fósforos
    Com o início da indústria dos fósforos em Portugal na década de 1860, Aldeia das Dez assumiu um papel de relevo. Em 1890, existiam na aldeia duas ou três fábricas - “Serra da Estrela”, “Francisco Antunes do Amaral” - que ocupavam cerca de 50 operários. O monopólio, que veio a ser estabelecido em 1895 em favor da Companhia Portuguesa de Fósforos, liquidou esta atividade na aldeia. Uma das fábricas foi reconvertida em fábrica de lanifícios, que também produziu cobertores. Ainda subsiste o edifício (século XIX) dessa unidade, convertida em habitação particular, não visitável.

    Rua dos Entalhadores
    Em Aldeia das Dez, ainda existe esta rua, por ter sido terra de entalhadores dotados de grande qualidade artística. No altar-mor da Igreja Matriz da Aldeia do Xisto da Benfeita, encontramos um trabalho do entalhador José Tavares, de Aldeia das Dez, correspondendo a um original setecentista. Aqui, na Igreja matriz, o mesmo entalhador, executou uma tribuna que é uma peça notável do seu ofício. A pintura da peça apenas utilizou óleo, para que a tinta não escondesse os pormenores do trabalho. Na aldeia, existe também a Rua dos Douradores.

    Acidente aéreo
    No dia 15 de abril de 1953, despenhou-se um caça da Força Aérea Portuguesa em Aldeia das Dez. Era a segunda vez, em poucos dias, que o piloto efetuava exercícios aéreos sobre a aldeia. Nas manobras acrobáticas que naquele dia estava a executar, algo correu mal. O caça embateu numa árvore, depois numa casa e despenhou-se junto à aldeia. O piloto teve morte imediata. O seu nome era Alfredo José. E era natural de Aldeia das Dez.

  • património

    No que toca a património, o da Aldeia das Dez é impressionante e são as casas o que mais se destaca. A Casa do S (ou Casa da Voluta) é um exemplo. Edifício do século XVII de arquitetura popular, conta com dois pisos em estrutura de alvenaria irregular.  Digna de visita é também a Escola Primária, um edifício característico do “Plano dos Centenários”, do tempo do Estado Novo.

    O património religioso também está bastante presente na Aldeia das Dez. Além da Igreja Matriz, que data do século XVIII, há também a Igreja de Santa Maria Madalena que foi construída em 1758. Dotada de frontaria neoclássica, no seu interior exibe-se um retábulo com a imagem de Santa Maria Madalena. Mais modesta, mas não menos bela é a Capela de Nossa Senhora das Dores, também erigida no século XVIII.

    Aldeia das Dez é também a aldeia das fontes. São quatro, desde a Fonte do Povo, construída em 1892 e adornada com azulejos com poemas do Dr. Vasco Campos, até Fonte do Soito Meirinho, localizada à entrada da aldeia.

    Se quiser fazer uma caminhada, pode utilizar a calçada romana que se localiza a 3 km de Aldeia das Dez, no Caminho das Tapadas e no Areal.
    O Cruzeiro do Largo da Fonte, construído em 1661 e restaurado em 1960, também é algo que vale a pena visitar.

    Ainda merecem destaque:

    • Cruzeiro do Largo da fonte
    • Solar Pina Ferraz
    • Capela de Nossa Senhora das Dores
    • Cemitério Velho
    • Fonte do Povo 
    • Calçada romana
      Troço de calçada romana, de ligação a Avô. Localiza-se a 3 km da aldeia, no Caminho das Tapadas e no Areal. 
    • Casa quinhentista
      Junto à Capela de Santa Maria Madalena, do lado inferior da via. Destaque para as molduras do vão da porta de entrada, arredondadas, e para a chaminé.
    • Casa da Fábrica
      Edifício localizado junto ao cemitério, construído no século XIX, que foi fábrica de cobertores. Hoje é uma residência particular.
    • Escola Primária
      Característico estabelecimento do ensino primário, construído no âmbito do "Plano dos Centenários" no tempo do Estado Novo.
    • Fonte do Marmeleiro
      Construída em 1915. Ostenta a gravação das seguintes iniciais: J.P.C.
    • Fonte do Soito Meirinho 
    • Fonte do Cabo do Lugar
      Construída em 1929. Ostenta a gravação das seguintes iniciais: JCS
    • Alminhas
      Duas alminhas do século XVIII indiciam locais de passagem da antiga via que cruzava a aldeia.
    • Miradouro do Penedo da Saudade
    • Miradouro da Mimosa
    • Miradouro do Largo Alfredo Duarte
    • Varandim do adro da Igreja Matriz
  • festividades
    • Julho: Festa de Nossa Senhora das Preces
    • Outubro: Festa da Castanha 
  • produtos
    • Doçaria
    • Tecelagem
    • Medronho

    Confraria do Medronho
    Nas encostas da Serra do Açor mais expostas a sul, abunda o medronheiro. A Confraria do Medronho, por aqui sedeada, empenha-se na promoção da espécie e dos produtos dele derivados. Para além do fruto fresco, o medronho pode dar origem a compotas, bolos, aguardente, licor e vinagre.

  • como chegar

    De Norte e de Sul
    Vindo de Noroeste (Guarda, Seia), Nascente (Coimbra) e Poente (Covilhã, Fundão), através da EN 230, a partir do nó de Venda de Galizes localizado na denominada Estrada da Beira – EN 17 (articulada com o IC 6 e o IP 3, permitindo a ligação a Coimbra, à zona Centro, a Lisboa e ao Norte Litoral) e o nó da Ponte das Três Entradas. Para Nordeste a ligação é assegurada a partir da ligação da EN 17 com o IP 5 (em Celorico da Beira), até Guarda e Espanha. As ligações a Sudeste (Vila Cova do Alva, Arganil) fazem-se através da EN 342 e a Sudoeste (Pomares) através da EN 513.

    De Espanha
    Entrando por Vilar Formoso, tomar a A25/E80 na direcção Aveiro, até à saída 26 (Seia/Gouveia/Celorico). Em Celorico da Beira, na rotunda, saia na quarta saída, em direcção a Gouveia (N17). Siga pela E802. Seguindo pela N17 em direcção a Gouveia, passará por Cortiçô da Serra e São Paio de Gramaços. Perto de Penalva de Alva, siga à direita pela EM 514. Depois é só seguir à direita na N230 e depois pela EM506.

    Outras Informações:
    Na aldeia existem painéis informativos sobre

    • A Aldeia das Dez, na Casa do S
    • Os PR1, PR2 e PR3 OHP - Caminho do Xisto de Aldeia das Dez,  no Largo Alfredo Duarte
    • Ponto de informação na Casa do S.
  • nome dos habitantes
    aldeenses
  • padroeiro
    são bartolomeu
  • ex libris
    solar pina ferraz

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