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Guia do visitante

Talasnal

Geografia

Fugindo aos acentuados declives da serra, as populações serranas estabeleceram-se onde a terra lhes concedia um pouco mais de planura.

Não é por isso estranho que enquanto o Chiqueiro, situado mais acima, tira partido de uma zona de declives menos profundos, tanto o Casal Novo como o Talasnal se localizem a meia encosta sobre linhas de festos. Esta última aldeia adquire visível destaque graças às ribeiras da Vergada e de S. João, as duas linhas de água que limitam e marcam o festo que lhe serve de suporte.

Natureza

A Serra da Lousã conjuga de forma única a vertente cultural e humana das Aldeias do Xisto, com a natureza e as possibilidades de lazer que a sua paisagem proporciona. É casa de veados, javalis e corços que espreitam por entre sobreiros, castanheiros, carvalhos e, claro, pinheiros. É atravessada por inúmeros trilhos pedestres/BTT e por caminhos que nos levam ao St. António da Neve, ao Alto do Trevim, ao Castelo da Lousã ou à Sra. da Piedade… não esquecendo as praias fluviais.

Património

Casal Novo, Talasnal e Chiqueiro são bastante semelhantes do ponto de vista arquitectónico, podendo encontrar-se, essencialmente, dois tipos de casas.

De um lado, as que seviam normalmente de currais, apresentando apenas rés-do-chão, constituído por uma pedra de Xisto apoiada e cobertura em colmo. Do outro, as casas de habitação compostas por dois pisos, tendo no piso superior, acessível por uma escada em xisto, uma só divisão para alojamento, muitas vezes com forno de pão ao canto, e no rés-do-chão espaço de alojamento ou curral também. As paredes eram de xisto com massa de argila e palha, e a estrutura feita em madeira de castanho ou pinho.

História

Com um solo de difícil cultivo, não foi fácil aos povos a sua fixação nestas aldeias, pelo menos até ao Séc. XVIII, altura em que a cultura de regadio trouxe novos produtos, como o milho grosso, a batata e o feijão. A agricultura, no entanto, não foi suficiente para impedir o êxodo dos habitantes para as grandes cidades.

Gastronomia

Já o Foral manuelino da Lousã – Aldeias do Xisto de Candal, Casal Novo, Cerdeira, Ciqueiro e Talasnal – nos dá conta de serem produzidos e consumidos cereais como a aveia, centeio, cevada, milho, painço e trigo, e de farinha de cada «hum deles» dos quais resultava o «pam». O sal, o vinho, o vinagre, a linhaça, o marisco, o pescado, a fruta verde, os melões, a hortaliça também nele constam e, anote-se a referência ao marisco que tal como o pescado era transportado pelos almocreves.
Filho desta tradição gastronómica apurada com o passar dos anos, nasceu o saber que hoje enche de aroma e sabor as cozinhas do Taslanal, do Casal Novo e do Chiqueiro. Quem não irá querer provar a chanfana, as delícias de mel e castanhas e tantos outros pratos que aqui nos dão a provar?

Sanchas dos castanheiros

Ingredientes: Um quilo de sanchas, meio-quilo de arroz agulha, carne de chouriça, alho, azeite, cebola, colorau, uma folha de louro.

Faz-se um guisado com a carne da chouriça, a cebola, o alho, o azeite, o colorau e a folha de louro. Vai-se mexendo o guisado com a colher de pau. Junta-se a água e as sanchas. Depois das sanchas estarem cozidas, adiciona-se o arroz que fica a ferver durante poucos minutos.

Receita gentilmente cedida pela Sra. Maria Helena
Descubra mais receitas desta Aldeia na Carta Gastronómica das Aldeias do Xisto.