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Guia do Visitante

Janeiro de Cima

Geografia

Em Janeiro de Cima, no concelho do Fundão, sente-se a forte cumplicidade entre a aldeia e o Rio Zêzere, que banha grande parte da freguesia. O curso de água desenha suaves curvas que enquadram a paisagem rural, rodeada por uma densa vegetação de pinheiro bravo de onde sobressaem alguns cabeços nus e abruptos penhascos. A aldeia repousa numa harmonia perfeita entre o rio e a montanha.

História

Reza a lenda que, no século XVI ou XVII, um senhor que possuía terras nas duas margens do Rio Zêzere, as legou por morte aos dois filhos de nome januários. A um, deixou as da margem direita do rio; ao outro, as da esquerda. Assim nasceram Janeiro de Baixo e Janeiro de Cima, cuja formação não se iniciou no local onde hoje se encontra. A primeira pedra foi lançada numa pequena elevação apelidada de “Esmorouços”, local onde foi construída a sua primeira capela, em honra do Divino Espírito Santo.

Património

Com uma identidade muito própria, a arquitectura janeirense declina o Zêzere na alvenaria de pedra de xisto, pontilhando-a de seixos rolados provenientes do leito do rio. As primeiras casas da aldeia cresceram em redor da Igreja Velha e é dali que irradiam uma série de ruas estreitas e orgânicas com uma fisionomia própria, que se vão articular com becos e ruelas, pátios e quelhas, numa estrutura medieval de grande valor patrimonial.
A religiosidade do povo de Janeiro de Cima é representada por duas igrejas, três capelas e cinco Alminhas. O seu expoente máximo é a Igreja Velha, em redor da qual se formou a povoação e cuja fisionomia original foi devolvida por obras recentes. Em redor da igreja, a requalificação do largo garante-lhe a nobreza própria de um local de culto.

Natureza

A proximidade do Rio Zêzere é um dos maiores atractivos de Janeiro de Cima. Um passeio até às margens, por entre uma bucólica paisagem rural, desagua num amplo parque fluvial, zona de lazer que se enche de gente nos dias mais quentes.

Gastronomia

As Aldeias do Xisto do concelho do Fundão (Janeiro de Cima e Barroca) beneficiam (beneficiavam) desse alfobre alimentar – o rio Zêzere, e nas “Memórias Paroquiais” de 1758, alude-se também a “pão, metade centeio e metade trigo”, vinho, azeite e tremoços. Mas através de outras fontes sabemos essas Aldeias integram a área mais plana, comummente conhecida por Cova da Beira. Sobre esta designação vale a pena relermos o que Orlando Ribeiro escreveu nos Opúsculos Geográficos”, vol. VI, para nos apercebermos da sua aptidão para ser o celeiro da região. Atente-se nas palavras do ilustre geógrafo: “Admirável de intuição geográfica é o nome popular aplicado à depressão que jaz entre as Serras da Estrela e da Gardunha: Cova da Beira. Na verdade uma cova entre montanhas, alongada como elas no mesmo sentido, de fundo rugoso de colinas e valeiros e uma larga depressão por onde corre um Zêzere manso, ao rés de espraiados areais e cascalheiras. Terra de soutos, carvalhais, pinhais, de pomares, hortas e milhos de regadio, viçosa das águas que recolhe em grande abundância das serranias que a cercam, de um mimo e fertilidade de Beira Alta, à qual se liga pelo estilo da paisagem, embora, pela posição, as relações naturais se abram para os caminhos do vale do Tejo”.

Esparregado de nabos

Ingredientes: Nabos, alho, azeite, três a quatro colheres de farinha de milho, louro, sal.

Cozem-se os ramos dos nabos, migados miudinhos com água e sal. Escorrem-se muito bem escorridos. Ao lume coloca-se uma frigideira com alhos, azeite e louro. Em forma de chuva, devagarinho, junta-se a farinha de milho para ir cozendo e mexe-se bem mexida para não agarrar ao fundo do tacho. Serve-se com feijão pequeno e bacalhau assado na brasa temperado com azeite e alho.

Receita gentilmente cedida por D. Otília Martins Gomes Dias
Descubra mais receitas desta Aldeia na Carta Gastronómica das Aldeias do Xisto

É curioso

Reza a lenda que cerca de 1757 a população de Janeiro de Cima foi assolada por uma forte epidemia que fez sucumbir grande parte do número de habitantes e que só foi travada pela divina interferência de S. Sebastião. Pela dádiva recebida, os janeirenses construíram-lhe uma capela, compraram a imagem do santo, e celebram a 20 de Janeiro de cada ano a sua festa. Na celebração, 16 janeirenses nomeados oferecem um bodo constituído por 100 pães e 5 litros de vinho a quem se encontra na aldeia.

Festividades

- Bodo de Janeiro de Cima ou Festa do Mártir S. Sebastião, a 20 de Janeiro
- Senhora da Saúde, no segundo fim-de-semana após a Páscoa
- Divino Espírito Santo, sete semanas depois da Páscoa
- Senhora da Assunção, a 15 de Agosto
- Senhora do Livramento, no primeiro Domingo após o dia 15 de Agosto
- Festa do Emigrante, a 31 de Dezembro