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Guia do Visitante

Barroca

Geografia

Situada nas vertentes da serra da Gardunha, apenas a 30 quilómetros do concelho do Fundão, Barroca está camuflada na paisagem e é senhora de um outeiro da margem esquerda do Zêzere, onde banha os pés e de onde domina as vistas.

Património

Na aldeia pisam-se pavimentos em seixos rolados, mas junto ao rio encontramos as lajes de uma antiga calçada medieval. Nas ruas compactas, as casas possuem por vezes passadiços ao nível do primeiro andar e deixam adivinhar, nos seus pequenos detalhes, a vontade de conferir emoções à construção. Fora do perímetro da aldeia, as construções dedicadas aos trabalhos do campo pontuam caminhos de terra batida, entre as pequenas propriedades disseminadas pelas encostas.

Através de passadiços e de belos percursos à beira rio alcançam-se os achados arqueológicos recentemente descobertos, que poderão existir há mais de 12 mil e 20 mil anos. As primeiras gravuras rupestres encontradas no Vale do Zêzere mostram três representações intencionalmente incompletas de eqqus cabalus, todas orientadas para a direita relativamente ao observador. Um espectáculo a descobrir e apreciar nas margens do Zêzere. E quem sabe se não haverá mais por descobrir…

História

Fundada em 1686, a paróquia da Barroca atingiu o seu maior grau de desenvolvimento a partir de 1700 e até ao último século, altura a partir da qual as principais casas foram sendo construídas. Das minas de Volfrâmio que, à época, deram apreciáveis resultados, proveio a principal fonte de receita da região. A proximidade das minas viria mesmo a criar aqui pequenas fortunas durante os anos da segunda guerra.

Os registos históricos fazem menção à Barroca a propósito da Revolução da Maria da Fonte durante a qual se destacou a 5 de Julho de 1846 a “guerrilha do Fabião” atribuída a um tal Fabião da Barroca, precisamente o construtor e dono da Casa Grande.

Gastronomia

As Aldeias do Xisto do concelho do Fundão (Janeiro de Cima e Barroca) beneficiam (beneficiavam) desse alfobre alimentar – o rio Zêzere, e nas “Memórias Paroquiais” de 1758, alude-se também a “pão, metade centeio e metade trigo”, vinho, azeite e tremoços. Mas através de outras fontes sabemos essas Aldeias integram a área mais plana, comummente conhecida por Cova da Beira. Sobre esta designação vale a pena relermos o que Orlando Ribeiro escreveu nos Opúsculos Geográficos”, vol. VI, para nos apercebermos da sua aptidão para ser o celeiro da região. Atente-se nas palavras do ilustre geógrafo: “Admirável de intuição geográfica é o nome popular aplicado à depressão que jaz entre as Serras da Estrela e da Gardunha: Cova da Beira. Na verdade uma cova entre montanhas, alongada como elas no mesmo sentido, de fundo rugoso de colinas e valeiros e uma larga depressão por onde corre um Zêzere manso, ao rés de espraiados areais e cascalheiras. Terra de soutos, carvalhais, pinhais, de pomares, hortas e milhos de regadio, viçosa das águas que recolhe em grande abundância das serranias que a cercam, de um mimo e fertilidade de Beira Alta, à qual se liga pelo estilo da paisagem, embora, pela posição, as relações naturais se abram para os caminhos do vale do Tejo”.

Tomatada

Para quatro pessoas: quatro tomates, azeite, sal.
Cortam-se os tomates ao meio e despojam-se das sementes. Deixam-se estar dois dias com sal, depois esmagam-se e são passados por um coador, ficando numa taleiga a escoar. Numa panela põe-se água temperada com azeite e sal, colocam-se os tomates e deixam-se ferver durante meia-hora em lume brando. Retira-se a tomatada e coloca-se em frascos sendo revestida com azeite. Serve para temperar carnes e comidas.

Receita obtida junto da Sra. D. Ana Maria Vicente Gil
Descubra mais receitas desta Aldeia na Carta Gastronómica das Aldeias do Xisto.

É curioso

Segundo informação de 1758, quem quisesse atravessar o Zêzere, caudaloso e de fortes correntes, poderia fazê-lo de barca juntamente com duas bestas e outras onze pessoas. Era esta a carga considerada regular para este tipo de embarcação.

Festividades

- Festa de Nossa Senhora da Rocha, a 15 de Agosto.
- Festa de S. Lourenço, no primeiro Domingo de Agosto
- Festa de Santo António, em Agosto