Guia do Visitante
Fajão
Geografia
A vila de Fajão, uma das dez freguesias do concelho da Pampilhosa da Serra, está localizada numa zona de intensa beleza, rodeada por altos penedos e percorrida por vales profundos onde serpenteia o Rio Ceira.
Património
Fajão exibe as suas casas em xisto, exemplos da arquitectura típica da zona. Antiga vila, encaixada numa pitoresca concha da Serra junto à nascente do Rio Ceira, encontramo-la entre vales profundos e altos e gigantescos penedos de quartzito, cuja configuração faz lembrar antigos castelos naturais.
Fajão recebe-nos com a hospitalidade das suas gentes e com a beleza surpreendente das suas casas. Cada uma tem uma história feita de pequenos pormenores e de configurações inovadoras que respeitam e elogiam as linhas tradicionais. É preciso andar devagar e apreciar o namoro entre o xisto e as madeiras de portas e janelas, ou reparar como a cor das paredes parece iluminar todas as ruas por dentro, e que todas elas nos guiam para a luz dos espaços mais amplos. No exterior destacam-se os telhados em lousa e as carpintarias de linhas sóbrias. As janelas de vidro inteiro e duplo, com portadas interiores, conferem leveza a toda a estrutura dos edifícios. As portas, encimadas por padieiras em madeira, apresentam em alguns casos um tradicional postigo de vidro. Aqui e ali, algumas paredes rebocadas e pintadas de amarelo-torrado alegram a vila com um colorido pontual. Aprecie as aldrabas, os postigos e cercas, as cimalhas e as paredes curvas, as fontes ou as varandas.
Natureza
Do miradouro da Nossa Senhora da Guia vislumbra-se toda a aldeia. Os Penedos de Fajão, que deram origem a lendas e superstições que se perpetuaram no tempo. O cume dos montes que anunciam vales profundos e cristas que mais parecem o dorso de um dragão. “A Pedra que Abana” de onde se pode perder o olhar no vale encaixado que vai até à Ponte de Fajão.
História
Em 1233, o Prior do mosteiro de S. Pedro de Folques, D. Pedro Mendes, concedeu Foral a “dez Povoadores de Seira, que depois se chamou Fajão”, no contexto da política que visava criar comunidades de homens livres que garantissem o povoamento do território cristão. Com este diploma, Fajão adquire o estatuto de concelho que viria a ser demarcado em Fevereiro de 1602, pagando renda àquele mosteiro. No entanto, em 1916, por Breve do Papa Paulo V, os bens dos Mosteiros de Folques e Paderne são anexados ao Colégio da Sapiência de Santa Cruz de Coimbra. O Senhor de Fajão deixa de ser Folques para passar a ser Santa Cruz, o que lhe permitia gozar de privilégios e isenções concedidas pelos reis ao Mosteiro de Santa Cruz. Para os fazer valer, os moradores de Fajão tiveram porém de protestar e uma dessas reclamações fez de Pascoal Fernandes, que a encabeçou, figura relevante nos célebres “Contos de Fajão”.
Gastronomia
No seu “Portugal Antigo e Moderno: Dicionário Geográfico, Estatístico e Corográfico, Lisboa”, 1873-1890, Pinho Leal, em relação ao concelho de Pampilhosa da Serra, Aldeias do Xisto de: Fajão e Janeiro de Baixo, realça o facto de: “O território d’este concelho é bastante montanhoso, posto que não tanto, como o supprimido de Fajão (que fórma hoje parte d’este), por serem seus montes menos elevados. Seus campos são regados por varios ribeiros, que tornam a terra fertil; ainda que, em occasião de grandes invernadas, as aguas arrastam em sua impetuosa corrente, o fruto – e não poucas vezes a terra, campos – do lavrador”.
Prato de comer
Ingredientes; Carne de porco – cabeça e chispe, enchidos diversos, presunto, batatas, couves da horta, feijão encarnado, massa cortada.
Cozem-se as carnes juntamente com o feijão encarnado. Depois das carnes estarem cozidas são retiradas, e mete-se na panela a batata e a hortaliça para o mesmo efeito. As batatas e a hortaliça são retiradas da panela com uma escumadeira e servidas como prato principal, juntamente com as carnes. Na mesma água coloca-se a massa cortada que depois de ferver é servida como sopa.
Receita obtida junto da Sra. D. Lucília Ramos Neves Simão
Descubra mais receitas desta Aldeia na Carta Gastronómica das Aldeias do Xisto.
É curioso
Os tradicionais Contos de Fajão, recolhidos e publicados em 1989 por Monsenhor Nunes Pereira, são o testemunho da riqueza lendária da região. Muitos deles remontam à Idade Média e o “Juíz de Fajão” é simultaneamente personagem e símbolo do espírito do autor, transmitido de geração em geração. Valioso património de Fajão, estes contos assemelham-se aos alemães “contos de Beckum”.